Resiliência e Conhecimento: as palavras-chave para obter resultados com a implantação e a gestão de
- 3 de abr. de 2018
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Então, você também acha loucura querer fazer gestão de food safety quando ainda é necessário ensinar o povo a lavar as mãos? Sim, pode ser loucura. Mas eu acho que é possível, só depende de como você tem que fazer para convencer as empresas a investirem nisso. Você tem as ferramentas necessárias para fazer isso? Sabe quais são? Porque e eu escuto sempre a seguinte reclamação: “Ah, mas a minha empresa prefere investir em uma louça bonita para o restaurante, ao invés de contratar profissionais competentes para a gestão e a operacionalização das ferramentas de segurança de alimentos. Quanta injustiça!”.
E é nesse momento que eu digo: Injustiças acontecem o tempo todo. Empresas fecham, cortam custos, demitem gente boa, contratam gente ruim. Chefes erram, maus líderes sacaneiam as equipes. Isso acontece e sempre vai acontecer. Mas sabe o que você pode fazer se acontecer com você? Não desistir. Não ficar reclamando da vida. Não ficar colocando a culpa em fulano e beltrano enquanto você se afunda.

Para. Respira. Pensa. O que diferencia aquele profissional que você admira, dos outros tantos que tem por aí no mercado? Eu te digo: resiliência. E para ser resiliente, precisa de muito esforço. Não vai dar certo de primeira. Talvez nem de segunda, ou de terceira. Mas se a sua estratégia for boa, vai dar certo.
Diariamente eu também me pergunto por que é tão difícil fazer empresas de alimentos, restaurantes e hotéis entenderem que a segurança dos alimentos não é uma modinha; não é birra da fiscalização e não é só para cumprir a lei?
Porque, vamos combinar? A empresa produz comida, as pessoas colocam o produto delas para dentro do seu organismo. Pessoas saudáveis, pessoas doentes, com imunidade baixa, pessoas em quimioterapia, grávidas, crianças, idosos. Então, se o seu negócio é COMIDA, o mínimo (MÍNIMO) que você precisa fazer é não matar alguém que consuma o seu produto. Não deixar uma pessoa doente, não causar um aborto em uma gestante. Gente, eu repito: isso é o mínimo!
Então, como é que ainda é tão difícil fazer com que essas empresas invistam na contratação de profissionais de segurança de alimentos? Por que é tão complicado fazer com que invistam em ferramentas de segurança dos alimentos? Eu vou te dizer: porque a grande maioria das empresas do setor de alimentos e bebidas ainda DESCONHECE o assunto. Por incrível que pareça.
Na época em que trabalhava implementando Boas Práticas e APPCC, enquanto treinava as equipes, a pergunta que eu mais escutava era: “olha, eu sempre comi ovo cru e nunca passei mal”. Ou então “eu nunca ouvi falar de alguém que tenha morrido por comer um alimento contaminado”. E as minhas respostas eram sempre as mesmas também: “então, eu conheço gente que nunca colocou o capacete para andar de moto e está aí, viva! Mas ela sabe o risco que está correndo. E você, sabe quais os riscos corre ao produzir um alimento contaminado?”
Os problemas de segurança de alimentos que uma empresa pode enfrentar são inúmeros: desde a morte de uma (ou mais) pessoa (s), até a falência da empresa devido aos custos que um surto pode ter causado. E entre estes dois extremos, existem muitos outros fatores que custam dinheiro e custam reputação. São os famosos custos tangíveis (custo de um recall ou de um processo na justiça por conta de um surto) e intangíveis (reputação de uma empresa ligada a um surto).
Em 2007, uma mundialmente famosa indústria de chocolates foi multada em 2 milhões de dólares após um surto de Salmonella envolvendo seus produtos. Após 3 pessoas (incluindo crianças de 4 anos) terem sido hospitalizadas por consumirem o chocolate desta empresa, o processo veio à tona. Além destes 2 milhões, essa empresa teve que pagar 309 mil dólares em custos legais. O recolhimento do produto, no mercado, custou mais 60 milhões de dólares. E após o incidente, a empresa relatou que gastou mais 40 milhões de dólares em melhorias no processo de controle de qualidade e segurança dos alimentos, sem falar que as vendas da empresa caíram 14% nos meses seguintes ao surto.
Na minha opinião, o principal para mudar este cenário se chama CONHECIMENTO. Busque conhecimento. Espalhe conhecimento. Compartilhe conhecimento. Quanto mais gente entender a importância do assunto de segurança dos alimentos, mais fácil será mudar o mercado. Faça cursos. Vá em palestras. Leia. Contrate pessoas renomadas para te ensinar, pessoas que realmente saibam do que estão falando. Gente que te prova por A+B que você (ou a sua empresa) só tem a ganhar fazendo uma gestão eficiente de food safety.
Precisamos acabar com os profissionais que preenchem planilhas só por preencher. Isso só desmerece o trabalho. Vamos capacitar essa gente. Vamos ensinar o motivo de se monitorar, registrar e verificar os dados. E vamos fazer com que estas pessoas mostrem para os seus diretores (que não são técnicos na maioria das vezes) que elas não estão ali porque é bonitinho ter alguém de jaleco branco com um termômetro nas mãos.
É com este intuito que resolvi começar a fomentar o assunto de food safety em eventos, congressos e workshops desde 2016. Sempre chamando profissionais ultra competentes para palestrar, pessoas que trabalham direta e diariamente com a implantação e a gestão do food safety. A cada ano, acredito que este conhecimento se difunde mais e, com o aumento de profissionais eficientes no setor, aumenta a capacidade destes profissionais convencerem os donos/diretores/presidentes de empresas a investirem na segurança dos alimentos.
E assim, pouco a pouco, a gente vai sentir a diferença. Pouco a pouco as prioridades vão
mudando, as empresas vão se adaptando e os consumidores (e a sociedade como um todo) sairão ganhando e confiando mais nos produtos que escolhem. E vai acontecer a famosa seleção natural: quem não se adapta, não sobrevive. Sejam as empresas que não investem em food safety, sejam os profissionais que não se capacitam.
Então, não perde tempo, e vem fazer parte deste movimento de mudança de cenário. Clica aqui e se inscreve para participar do I Simpósio de Gestão de Segurança de Alimentos - RJ que vai acontecer no sábado, dia 05 de maio de 2018, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.







































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